Uma nova vida para as salinas
Uma nova vida
para as salinas
Das salinas para o oceano: uma nova vida para um habitat histórico
As salinas tradicionais do Algarve têm uma história longa - e um futuro promissor. Muitas estão abandonadas ou em reestruturação, pelo que estamos a transformá-las em centros de cultivo de ervas marinhas, investigação e educação ambiental, criando um modelo inovador que une conservação e aquacultura sustentável.
Um habitat esquecido com potencial único
Os tanques das salinas tradicionais recriam condições próximas das lagunas costeiras - água salgada, fundos lamacentos, luz abundante. São, por isso, ambientes privilegiados para cultivar ervas marinhas em condições controladas, antes de as transplantar para o mar. E permitem ir mais longe: acolher espécies raras, promover a nidificação de aves e criar espaços de demonstração e educação ambiental.
Uma salina requalificada junto à Ria de Alvor, em parceria com a Piscicultura do Vale da Lama.
Tanques no coração da Ria Formosa, onde decorrem transplantes experimentais de várias espécies de ervas marinhas.
A base científica do projeto na Ria Formosa, com tanques de cultivo e laboratórios de investigação.
BioMarim: onde a aquacultura encontra a conservação
A Piscicultura do Vale da Lama - PVL - é uma referência da aquacultura estuarina no Algarve, especializada na produção de dourada e robalo. No âmbito do RESTORESEAGRASS, está a requalificar uma salina antiga chamada BioMarim para a transformar num espaço vivo de cultivo e demonstração, aberto a visitantes, estudantes e investigadores - um lugar onde é possível observar de perto o cultivo de ervas marinhas e a sua integração com a biodiversidade local.
O BioMarim vai acolher cultivos de Zostera spp. e Cymodocea nodosa em tanques subtidais, e criar condições para espécies lagunares raras como a Ruppia spp. e a Althenia filiformis. Em parceria com a SPEA, estão também a ser desenhadas configurações para promover a nidificação de aves aquáticas como a chilreta, o borrelho-de-coleira-interrompida e o perna-vermelha.
Necton: laboratório vivo no coração da Ria Formosa
A Necton é uma empresa de referência em culturas marinhas, com vasta experiência na produção de microalgas. Localizada no coração da Ria Formosa, cedeu tanques da sua exploração para o cultivo experimental de ervas marinhas - uma parceria que está já a dar os primeiros resultados.
Nos tanques da Necton decorrem transplantes-piloto de Zostera noltei e Cymodocea nodosa, testes de aclimatação e, de forma pioneira, o cultivo experimental de Ruppia spiralis. O objetivo é criar uma fonte sustentável de plantas para futuros projetos de restauro - reduzindo a pressão sobre as populações naturais dadoras e provando que salinas e conservação marinha podem andar de mãos dadas.
Ramalhete: uma janela para a ciência das pradarias
A Estação Marinha do Ramalhete é uma infraestrutura de investigação do CCMAR situada numa península no coração da Ria Formosa, com acesso direto aos canais de maré e equipada com tanques exteriores e laboratórios. A sua localização privilegiada torna-a num ponto de partida natural para o trabalho de campo na Ria Formosa.
O projeto está a explorar o potencial do Ramalhete como futuro polo de cultivo, demonstração e educação - um espaço onde investigadores, estudantes e visitantes possam observar de perto o trabalho de recuperação das pradarias e onde, a longo prazo, se possa consolidar uma capacidade permanente de cultivo de ervas marinhas.
Um modelo para o futuro
As salinas do Algarve guardam um potencial enorme para a conservação, para a ciência e para a educação. O que está a ser desenvolvido nestas três áreas não é apenas um conjunto de experiências isoladas: é um modelo replicável, que pode inspirar outros projetos de restauro ao longo da costa atlântica.



