Arrábida: recuperar riqueza
Pradarias da Arrábida
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Arrábida: uma história de perda, resistência e recuperação
A costa da Arrábida, integrada no Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, é um dos ecossistemas marinhos mais ricos de Portugal - com mais de 1300 espécies identificadas. Mas este paraíso subaquático guarda uma história difícil: as suas pradarias marinhas foram quase completamente destruídas pela ação humana.
De 30 hectares a quase nada: o colapso de uma pradaria
Há poucas décadas, o fundo do Portinho da Arrábida era coberto por extensas pradarias de ervas marinhas. Em 1980, existiam 30 hectares - um tapete verde e vivo que sustentava peixes, cavalos-marinhos, chocos e dezenas de outras espécies. Menos de trinta anos depois, esse tapete tinha quase desaparecido por completo.
Ganchorras e âncoras: os destruidores do fundo
A causa principal foi a apanha ilegal de bivalves com ganchorra - artes de pesca que arrasam o fundo e arrancam tudo o que encontram. O fundeamento desregrado de embarcações de recreio fez o resto, abrindo clareiras que a erosão foi alargando. Uma destruição silenciosa, mas devastadora.

Programa BIOMARES
A primeira tentativa de devolver vida ao fundo
Em 2007, arrancou o projeto BIOMARES - também financiado pelo programa LIFE - com um esforço pioneiro para replantar as pradarias da Arrábida. Transplantes, monitorização, mapeamento e ciência acumulada ao longo de quase duas décadas: foi este programa que lançou as bases do trabalho que o RESTORESEAGRASS continua hoje.
Uma nova fase: o RESTORESEAGRASS retoma o trabalho
Construindo sobre os ensinamentos do BIOMARES, o RESTORESEAGRASS retoma o trabalho de restauro na Arrábida com novas técnicas e uma estratégia mais focada. A principal área de intervenção é o Portinho da Arrábida - Praia dos Coelhos.
Uma população resiliente - mas em declínio
Estudos genéticos mostram que a população de Zostera marina existente tem diversidade suficiente para resistir. Mas o historial de declínio das últimas décadas obriga a uma intervenção ativa - e é isso que estamos a fazer.
As ameaças que persistem
A apanha ilegal de bivalves com dragas pertence ao passado - mas outras ameaças mantêm-se. A forte agitação marítima e as tempestades de inverno continuam a ser um fator de risco natural. E o fundeio de embarcações de recreio, numa costa tão procurada, continua a deixar cicatrizes no fundo.
