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As plantas das lagunas e salinas

As plantas 

das lagunas e salinas

 

 

 

Pequenas, raras e essenciais: as plantas que vivem onde outras não conseguem

Nas salinas e lagunas costeiras, onde a salinidade sobe, a água escasseia e as condições mudam rapidamente, existem plantas que não só sobrevivem - como prosperam. São as especialistas: menos conhecidas do que as ervas marinhas das pradarias, mas igualmente fundamentais para a vida nestes habitats únicos.

 

 

A base de uma teia de vida improvável

Nestes ambientes extremos, estas plantas são a base de tudo. Servem de alimento a flamingos, pernaltas e patos, de abrigo a invertebrados e peixes, e contribuem para a estabilização dos sedimentos e para a qualidade da água. Onde elas existem, a vida multiplica-se - mesmo onde parece impossível.

 

Seagrass Meadows in Ria Formosa Portugal

Quatro espécies, quatro formas de se adaptar

Em Portugal existem quatro espécies destas plantas especialistas, e cada uma encontrou a sua forma única de se adaptar a condições que a maioria das plantas não suportaria.

Ruppia maritima

Ruppia maritima - a mais tolerante

De folhas muito finas e pedúnculos retos ou ligeiramente curvos, é a mais versátil das quatro. Ocorre desde águas salobras a hipersalinas - em canais de salinas, lagoas costeiras e zonas húmidas. A sua tolerância a condições extremas torna-a a mais comum e distribuída do grupo.

Ruppia spiralis - a dos pedúnculos em espiral

Inconfundível pelos seus longos pedúnculos que se enrolam em espiral. Prefere águas mais profundas e permanentemente submersas - é comum nos canais de maré e nas entradas das salinas, onde a renovação da água é maior e as condições mais estáveis.

Ruppia spiralis
Ruppia drepanensis

Ruppia drepanensis - a filha do inverno

Esta espécie só cresce no inverno. As suas folhas extremamente finas emergem quando as chuvas enchem as lagoas salinas temporárias - e desaparecem quando essas lagoas secam completamente no verão. Um ciclo de vida fugaz, num habitat que poucos conhecem. É rara e ameaçada.

Althenia filiformis - a invisível das lagunas

A mais pequena e discreta das quatro. Os seus caules são tão finos que passa facilmente despercebida - e o seu ciclo de vida curto torna-a difícil de detetar. Vive em lagoas salinas temporárias e charcos que enchem no inverno e secam no verão, produzindo pequenos frutos com um bico característico.

Althenia filiformis

Onde vivem: ambientes salinos, extremos e únicos

Estas plantas não procuram o mar aberto nem as águas doces - habitam um mundo intermédio, salino e exigente. É em salinas ativas ou abandonadas, lagunas costeiras hipersalinas e sapais com elevada salinidade que as encontramos. Habitats raros, frágeis - e que poucos conhecem.

Passaros nas salinas de castro marim

Onde encontrar estas plantas em Portugal?

Em Portugal continental, estas especialistas concentram-se principalmente no sul do país - com destaque para a Ria Formosa e as salinas do Algarve, onde formam tapetes subaquáticos em canais e tanques salinos. Uma distribuição restrita que torna a sua conservação ainda mais urgente.

Ruppia drepanensis
Distribuição Ruppias
Polvo entre ervas marinhas